Violências na escola: que fazer?
A
Cátedra UNESCO de Juventude da Universidade Católica de Brasília pesquisa, há
cerca de dez anos, a violência escolar, já tendo publicado mais de uma centena
de trabalhos. O conjunto de investigações mostra que muitos educadores e alunos
ignoram conceitos básicos de violência, como o racismo, e muitas vezes não
aplicam normas claras de convivência. Pior, as regras são impostas aos alunos,
sem coerência na sua aplicação. Diretores de orientação burocrática, que
permanecem nos gabinetes, aplicando sucessivas punições aos alunos, geralmente
expulsos de sala, são também fator de deterioração do clima escolar. Como
sabonetes, as sanções disciplinares se desgastam quanto mais usadas. As
soluções das escolas bem sucedidas, na verdade, são simples e de baixo custo financeiro.
Todavia, envolvem liderança, competência técnica e dedicação profissional.
A
questão da violência nas escolas, as pesquisas realizadas sobre o tema e
possíveis soluções constam do artigo do professor Candido Gomes, doutor em
Educação pela UniversityofCalifornia, Los Angeles; e titular da cátedra de
Juventude, Educação e Sociedade da Universidade Católica de Brasília
(UCB), publicado no periódico científico Ensaio: Avaliação e
Políticas Públicas em Educação (vol. 18, n. 68).
A
série de pesquisas distingue três tipos de violência: 1) da própria
escola, pela sua obrigatoriedade e pelo afastamento da realidade dos
alunos; 2) na escola, envolvendo alunos, professores e
funcionários, além, em certos casos de grupos externos, a serviço do tráfico de
drogas e outras atividades; 3) contra a escola, particularmente o
vandalismo, o furto e o roubo.
Essa
variedade mostra que soluções simples já fazem grande diferença, mas não são
fáceis de executar. Primeiro, a escola necessita adequar-se aos novos tempos:
os alunos têm acesso a muitas informações, não raro antes do professor;
acostumados a novas tecnologias, têm dificuldade de ouvir os docentes por
longas horas; convivendo menos com os adultos, desde cedo eles dependem dos
grupos de colegas, com sua própria dinâmica; o prestígio nesses grupos em parte
é distribuído com base em códigos de conduta opostos aos da escola (o "nerd" é
desvalorizado, ao contrário do "rebelde"); os currículos se
distanciam da realidade vivida pelos discentes ou não conseguem explicar
porque são importantes.
Com
base na constatação de percepções divergentes entre alunos e educadores sobre o
que é ou não violência, que condutas são "certas" e
"erradas", cabe estabelecer ou acordar pelo menos conjuntos de regras
mínimas de relacionamento social, bastante claras e visíveis para todos os
envolvidos. Os focos dos currículos não podem continuar sendo os conteúdos
programáticos a cumprir, por meio de métodos passivos. Como o ambiente social e
a família se modificam continuamente, a escola precisa assumir novas missões
junto aos seus alunos, usualmente rejeitadas pelos educadores, a exemplo da
formação de valores e atitudes. Continuar a pressupor e exigir que os educandos
venham "prontos" de casa é iludir-se com um paraíso imaginário,
deixando de assumir novas e inevitáveis missões que cabem à escola. Em vez de
aceitar essas missões e requerer todos os meios para cumpri-las, permanece numa
atitude de rejeição. Enfim, a escola em parte não sintoniza com a sociedade e
não consegue ver e trabalhar com mudanças indispensáveis.
Soluções
simples requerem persistência, coerência e capacidade. Diretores com liderança;
educadores integrados em equipe; diálogo democrático com os alunos, fixando
limites nítidos; uso de alternativas adequadas para resolver conflitos;
preocupação em formar as pessoas, inclusive, aprendendo a conviver; exercício
contínuo pelos adultos da pedagogia do exemplo (façam o que digo e o que faço)
e currículos atrativos constituem, além de políticas sociais mais amplas,
caminhos efetivos para a paz nas escolas.
Fáceis
de enunciar, mas difíceis de executar em toda a sua extensão e na integridade
das suas implicações, as transformações da escola do século XXI encontram sua
síntese mais perfeita nos quatro pilares do Relatório da UNESCO: aprender a
conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.
Além
disso, sociedade e Estado precisam assegurar meios para a escola realizar suas
transformações, além de articular políticas públicas adequadas para outros
campos que, fora da escolarização, têm repercussões importantes para esta. A
troca de acusações mútuas por omissões não é construtiva. Se a escola precisa
sintonizar-se com a sociedade, esta também precisa colocar-se em condições para
entrosar-se com a escola.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext_pr&pid=S0104-40362010010800001. Acesso em 05-10-2016.
Por Márcia Xavier
Grupo: Marise, Carla e Márcia
Grupo: Marise, Carla e Márcia
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ResponderExcluirAo abordarmos o tema sobre Violências na escola, percebemos o quanto o assunto é complexo. Educadores e educandos encontram dificuldades para dialogarem em prol de uma educação que priorize a construção do conhecimento em parceria, onde todos irão aprender e ensinar.
ResponderExcluirInfelizmente, ainda nos deparamos com muitas instituições de ensino que optam por não inovar as suas práticas e preferem não enxergar os problemas e dificuldades existentes no âmbito escolar. A violência se apresenta de várias formas e para que haja uma inversão de valores e ações é preciso que todos os membros busquem melhorias.
É primordial que a escola conheça a realidade vivenciada pelos seus alunos e que em seguida, procure juntamente com a equipe elaborar o seu projeto político pedagógico de acordo com as informações que atendam as necessidades e as diversidades, pois dessa forma irá facilitar a aproximação entre os docentes e os discentes. Os currículos também deverão ser repensados e modificados para que os alunos tenham interesse e curiosidade pelos conteúdos estudados.
Por Márcia Xavier
Grupo: Carla, Márcia e Marise