Os desafios na educação são muitos. A violência, como fenômeno inerente das relações humanas, como não poderia deixar de ser, adentra o ambiente escolar obstaculizando o bom desenvolvimento educacional. Sendo assim, é preciso combatê-la e, para tanto, se faz necessário, antes de qualquer coisa, identificar a violência em sua complexidade e buscar mecanismos eficientes de prevenção. Além dos tipos de violência explícita, como a verbal e física, há também aquelas mais sutis, implícitas, como: as diversas manifestações de violências respaldadas, muitas vezes, pela sociedade; a violência de todo tipo de discriminação; a do tipo de autoritarismo em relações hierárquicas, como as que acontecem no ambiente escolar, imposto por alguns educadores. Formas de violências que muitas vezes não se dá o devido tratamento e possíveis correções no âmbito social e na própria sala de aula e ambiente escolar.
Violências como bullying, o assédio moral são condutas que precisam de atenção e explanação sobre sua forma de manifestação e identificação para a defesa do sujeito na relação social, sendo condutas abusivas que fere a dignidade do indivíduo e sua integridade física ou psíquica caracterizado por atos constantes e contínuos de agressão. A síndrome de Burnout, resulta da exposição aos estressores do trabalho, causando a exaustão emocional - que em decorrência desta surgem a despersonalização e o sentimento de baixa realização profissional. No caso dos professores, todo tipo de violência incluindo assédio moral, desvalorização profissional, falta de condições estruturais na profissão, entre outros, contribui para o desencadeamento desta síndrome e suas consequências. Esses são alguns exemplos de violências que atingem o ambiente escolar, envolvendo todos os atores, trazendo sérios comprometimentos para a educação e para toda a sociedade.
A violência sempre deixa sequelas,muitas vezes irreversíveis. Partindo disto, é necessário admitir que o problema existe, identificado-o para a intervenção e o eficaz tratamento; perceber o papel dos gestores, professores e da escola como uma instituição democrática que estimula a ação participativa de toda a comunidade escolar como fundamental na desconstrução de valores nocivos para a construção de valores de emancipação do indivíduo e da sociedade, e de eliminação da violência.
A escola como espaço em que acontece o processo educativo de formação do sujeito, que oportuniza trabalhar, além dos conhecimentos, os valores, a atitude e a formação de hábitos, deve construir formas pedagógicas baseadas na educação para e em direitos humanos que possam intervir na questão da violência como: a criação de espaços que possibilitem o diálogo; promover estratégias para a expressão da diferença utilizando o conceito e interculturalismo; conscientizar e refletir sobre as questões humanas enfatizando a característica da solidariedade; trabalhar o ato da mediação para a resolução de conflitos entre outros. Nesta perspectiva, o trabalho do Orientador educacional atua em parceria com os docentes na investigação de quem são os seus alunos, ouvindo-os, numa abordagem mediadora/articuladora, investigando a cultura da comunidade, os desafios da diversidade no cotidiano escolar, da formação de valores contribuindo para trazer para dentro do ambiente escolar a comunidade à participação das discussões e busca de alternativas para a resolução de questões e conflitos. O Supervisor educacional é o profissional estimulador, questionador, organizador, orientador do trabalho pedagógico desenvolvido pelos professores, cabendo a este reorientar o professor a seguir o caminho da aprendizagem que propicie um melhor resultado passando a se tornar como um sinal para a reflexão e autocrítica para o planejamento e aperfeiçoamento das ações do professor, objetivado pela ação-reflexão-ação. Ao professor é importante a conscientização e uma postura reflexiva sobre as questões dos Direitos Humanos e que esta abordagem possa permear suas atitudes, diálogos e atividades de forma preventiva, intervindo e rompendo com valores instituídos que negam a valorização do outro abordando as diversas formas de expressão com a intenção de promover a cidadania, o respeito, o diálogo e a paz entre os indivíduos. Portanto, um trabalho profícuo, integrador, participativo de respeito e diálogo em que todos tem a sua responsabilidade dentro do espaço escolar com o objetivo de fortalecer e incrementar o ambiente democrático como elemento eficaz de combate às diversas manifestações de violência.
Texto Autoral: Marise Zanelatto
Grupo: Marise, Márcia Xavier e Carla Cerqueira Xavier
O distanciamento entre teoria e prática dos profissionais de educação é um dos fatores que prejudica as necessárias transformações no ambiente escolar e na educação brasileira. Além disto, é fundamental um compromisso efetivo nas ações políticas na valorização da educação e seus profissionais. Sem isto, o sonho de uma educação de qualidade fica sabotado.
ResponderExcluirPor: Marise Zanelatto