A professora de filosofia já se preparava para encerrar mais uma aula na noite de segunda-feira quando as luzes da escola em Franco da Rocha, São Paulo, foram apagadas – e a professora foi atingida no olho esquerdo por uma lixeira arremessada por um aluno;
A diretora de uma escola no Rio de Janeiro passava pelo corredor quando viu dois adolescentes simulando uma briga. Um dos adolescentes, de 15 anos, não gostou de ser repreendido e espancou a diretora, que ficou bastante ferida;
O professor fazia a chamada de sua turma em uma escola em Aracaju quando foi interrompido por uma discussão entre dois alunos. O professor, no entanto, não teve tempo de fazer nada: um dos alunos sacou o revólver e atirou. A bala atingiu o professor, que foi socorrido às pressas.
Estes são alguns relatos de violência contra professores em seu ambiente de trabalho, a sala de aula - o ambiente onde o professor deveria encontrar condições para realizar suas funções pedagógicas e cumprir o papel que se espera deste profissional quanto à aprendizagem e formação crítica dos estudantes.
No entanto os professores têm encontrado dificuldades para gerenciar os conflitos na sala de aula – conflitos que sempre existiram na relação entre professores e alunos; mas atualmente os docentes lidam com situações em que se deparam até mesmo com estudantes armados e não raramente envolvidos com tráfico de drogas, além de agressões físicas, verbais e vários tipos de ameaças. A situação está tão crítica que existe um projeto de lei que visa combater a violência sofrida pelos professores tramitando pelo senado para ser aprovado.
Que o atual sistema educacional é burocrático, arcaico e desmotivador para alunos com uma dinâmica bem diferente de anos atrás é verdade; que fazer da escola um lugar “de estacionamento de crianças e adolescentes é perigoso”, nas palavras deYves de La Taille, também é verdade; mas é verdade também que a escola ( e o professor) está sobrecarregada com o “excesso de missões”, para utilizar uma expressão do professor português António Nóvoa.
E é com o professor Nóvoa que encontramos uma ótima pista para entender o que vem acontecendo: “as escolas valem o que vale a sociedade. Não podemos imaginar escolas extraordinárias, espantosas, onde tudo funciona bem numa sociedade onde nada funciona.” No caso do Brasil, temos uma sociedade onde vários direitos são negados aos cidadãos – ou “conquistados” após árduas “batalhas” contra burocracias -, muitos deveres são desprezados e as políticas públicas em áreas como esporte, lazer e cultura principalmente nas áreas mais carentes das cidades não merecem a devida atenção dos governantes; além disso, vivemos em uma sociedade bastante violenta, o que é facilmente constatado através de dados fornecidos pelas Secretarias de Segurança Pública estaduais. Espera-se, assim, que a escola (e os professores) sob o mantra de “Educação é a solução para todos os problemas” assuma funções além daquelas que a instituição pode suportar – o excesso de missões. A escola tenta dar conta com planos e projetos ligados à cidadania e cultura da paz, por exemplo; os professores realizam cursos de prevenção às drogas, Direitos Humanos, diversidade, tecnologias educacionais, relações étnico-raciais e tantos outros. A escola não permanece alheia e tampouco se omite, mas sendo instituição isolada dentro de um contexto onde a violência é tratada como espetáculo – programas sensacionalistas da TV explorando e “coisificando” a vida/morte humana sob a justificativa de “mostrar a realidade”, por exemplo – e onde simples medidas disciplinares são consideradas autoritárias, ela continuará enfrentando os mesmos problemas.
Lembremo-nos do que o inesquecível educador Paulo Freire dizia: “Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho,inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Educação é fundamental para a construção de uma sociedade melhor, mas é um processo conjunto, não isolado. A própria Constituição Federal diz, em seu artigo 205, que “educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade”. A violência contra professores nas escolas não é um problema apenas do âmbito pedagógico, mas também de governantes e sociedade que aparentemente preferem fugir de suas responsabilidades.
http://grooeland.blogspot.com.br/2013/04/violencia-contra-professores.html
Por: marise Zanelatto
Grupo: Márcia Xavier, Carla Cerqueira Xavier e Marise Zanelatto

É muito importante o debate sobre as agressões e violência sofridas por professores e a escola. Diante de tais relatos, fica notório como a síndrome de Burnout torna-se uma fatalidade nestas realidades, quase que impossível um profissional destes não desenvolver tal patologia, além de toda a carga de responsabilidade já evidenciada, da falta de amparo das políticas públicas, e de parte da sociedade, e estrutural, professores da rede pública estão expostos a esta situação. No texto, a afirmativa: “o atual sistema educacional é burocrático, arcaico e desmotivador para alunos com uma dinâmica bem diferente de anos atrás”, fica a crítica sobre este ponto de vista, já que a educação tem uma história de violência na hierarquia de poder em relação aos alunos, numa gestão centralizadora, no “depósito” do conhecimento, entre outros, ao passo que, hoje, temos muitos avanços no fomento, com aporte legal, da gestão democrática e participativa, da visão do professor como mediador e construtor do conhecimento junto com os seus alunos, um debate significativo sobre os direitos dos cidadãos, a formação do aluno do ponto de vista integral, entre outros. Diante disto, as mudanças requerem empenho e esforço de toda a sociedade na prática diária.
ResponderExcluirPor: marise Zanelatto.